A UNIDADE DAS ESCRITURAS E A DEFESA DO ANTIGO TESTAMENTO NA TEOLOGIA PENTECOSTAL CLÁSSICA
Resumo
O presente artigo analisa a afirmação de Jesus em Mateus
5,17 à luz da unidade das Escrituras, defendendo a permanência teológica,
homilética e doutrinária do Antigo Testamento na fé cristã. O estudo confronta
a tendência contemporânea de restringir a pregação ao Novo Testamento,
evidenciando seus riscos históricos e doutrinários, bem como dialoga com o
pensamento pentecostal clássico, reafirmando a centralidade da Palavra, da
reverência e da continuidade bíblica no culto cristão.
Palavras-chave: Mateus 5,17. Antigo Testamento.
Pentecostalismo Clássico. Unidade Bíblica. Pregação.
1 INTRODUÇÃO
A Escritura Sagrada apresenta-se como uma revelação
progressiva e unitária da vontade de Deus. Entretanto, observa-se no contexto
eclesiástico contemporâneo uma crescente marginalização do Antigo Testamento na
prática homilética e pedagógica da igreja. Tal postura, ainda que
frequentemente justificada por um discurso cristocêntrico, incorre em
fragilidade teológica e empobrecimento doutrinário.
Jesus, ao declarar: “Não cuideis que vim destruir a lei ou
os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5,17), estabelece um princípio
hermenêutico fundamental para a teologia cristã. O Cristo não inaugura uma
ruptura, mas uma consumação da revelação veterotestamentária.
2 ANÁLISE EXEGÉTICA DE MATEUS 5,17
O termo grego plēróō (cumprir), empregado por Mateus, indica
plenitude e realização, e não substituição ou anulação. Cristo se apresenta
como o cumprimento escatológico da Lei e dos Profetas, preservando sua
autoridade enquanto revelação divina.
Agostinho de Hipona já afirmava que o Antigo e o Novo
Testamento não se opõem, mas se interpretam mutuamente, sendo o Novo oculto no
Antigo e o Antigo revelado no Novo (AGOSTINHO, s.d.).
Essa compreensão foi preservada pela tradição cristã e
reafirmada pela teologia pentecostal clássica, que reconhece a progressividade
da revelação sem admitir sua fragmentação.
3 A NEGAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO E O RESSURGIMENTO DE
DESVIOS HISTÓRICOS
A tentativa de eliminar o Antigo Testamento da pregação
cristã encontra paralelo histórico no marcionismo do século II, rejeitado pela
Igreja Primitiva por comprometer a identidade do Deus revelado nas Escrituras.
Segundo Horton (1996), o Antigo Testamento fornece a base
conceitual indispensável para a compreensão do Novo, especialmente no que tange
às doutrinas do pecado, da aliança, da santidade e da redenção.
A rejeição funcional do Antigo Testamento resulta em uma fé
desconectada de suas raízes bíblicas e historicamente desorientada.
4 O PENSAMENTO PENTECOSTAL CLÁSSICO E A AUTORIDADE DAS
ESCRITURAS
O pentecostalismo clássico sempre sustentou que a
experiência espiritual deve estar submetida à revelação bíblica. A atuação do
Espírito Santo jamais foi entendida como concorrente da Palavra, mas como seu
intérprete e confirmador.
Pearlman (1995) enfatiza que nenhuma experiência espiritual
pode ser considerada autêntica se contradizer ou negligenciar a Escritura. O
evento de Pentecostes (At 2) só é compreendido plenamente à luz da profecia de
Joel (Jl 2), evidenciando a continuidade entre os testamentos.
Assim, o culto pentecostal clássico preserva o equilíbrio
entre Palavra, Espírito e reverência.
5 A CRÍTICA AO CULTO PENTECOSTAL CLÁSSICO E SUA ANÁLISE
TEOLÓGICA
As críticas dirigidas ao culto pentecostal clássico
geralmente partem de critérios culturais e pragmáticos, ignorando sua base
bíblica. Elementos como reverência, ordem e temor são frequentemente
confundidos com formalismo, quando, na realidade, expressam uma teologia
profundamente enraizada nas Escrituras.
Gilberto (2004) ressalta que a ausência de ensino bíblico
sólido conduz a uma espiritualidade instável e emocionalmente volátil. A
exclusão do Antigo Testamento contribui para a perda do senso de santidade e da
compreensão da glória divina no culto.
6 IMPLICAÇÕES PASTORAIS E DOUTRINÁRIAS
A igreja é chamada a proclamar “todo o conselho de Deus” (At
20,27), o que pressupõe fidelidade integral às Escrituras. O Antigo Testamento
não deve ser tratado como mera ilustração moral, mas como revelação viva,
interpretada à luz de Cristo.
O abandono do Antigo Testamento compromete a formação
teológica dos crentes, fragiliza a pregação e empobrece a vida litúrgica da
igreja.
7 CONCLUSÃO
Cristo não aboliu a Lei, mas a cumpriu. O Espírito Santo não
contradiz a Escritura, antes a ilumina. O Novo Testamento não elimina o Antigo,
mas o revela em sua plenitude.
O culto pentecostal clássico, fundamentado na totalidade das
Escrituras, permanece teologicamente legítimo e espiritualmente necessário para
a igreja contemporânea.
REFERÊNCIAS
AGOSTINHO. Questões sobre o Heptateuco. s.l.: s.n., s.d.
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira
de Almeida. Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. Rio de
Janeiro: CPAD, 2004.
HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro:
CPAD, 1996.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Rio de
Janeiro: CPAD, 1995.
PENSE NISSO!
CEZAR JR GOMES
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