10 de março 2018

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

“NÃO VIM ABOLIR, MAS CUMPRIR” (MT 5,17)

 A UNIDADE DAS ESCRITURAS E A DEFESA DO ANTIGO TESTAMENTO NA TEOLOGIA PENTECOSTAL CLÁSSICA

Resumo

O presente artigo analisa a afirmação de Jesus em Mateus 5,17 à luz da unidade das Escrituras, defendendo a permanência teológica, homilética e doutrinária do Antigo Testamento na fé cristã. O estudo confronta a tendência contemporânea de restringir a pregação ao Novo Testamento, evidenciando seus riscos históricos e doutrinários, bem como dialoga com o pensamento pentecostal clássico, reafirmando a centralidade da Palavra, da reverência e da continuidade bíblica no culto cristão.

Palavras-chave: Mateus 5,17. Antigo Testamento. Pentecostalismo Clássico. Unidade Bíblica. Pregação.

1 INTRODUÇÃO

A Escritura Sagrada apresenta-se como uma revelação progressiva e unitária da vontade de Deus. Entretanto, observa-se no contexto eclesiástico contemporâneo uma crescente marginalização do Antigo Testamento na prática homilética e pedagógica da igreja. Tal postura, ainda que frequentemente justificada por um discurso cristocêntrico, incorre em fragilidade teológica e empobrecimento doutrinário.

Jesus, ao declarar: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5,17), estabelece um princípio hermenêutico fundamental para a teologia cristã. O Cristo não inaugura uma ruptura, mas uma consumação da revelação veterotestamentária.

2 ANÁLISE EXEGÉTICA DE MATEUS 5,17

O termo grego plēróō (cumprir), empregado por Mateus, indica plenitude e realização, e não substituição ou anulação. Cristo se apresenta como o cumprimento escatológico da Lei e dos Profetas, preservando sua autoridade enquanto revelação divina.

Agostinho de Hipona já afirmava que o Antigo e o Novo Testamento não se opõem, mas se interpretam mutuamente, sendo o Novo oculto no Antigo e o Antigo revelado no Novo (AGOSTINHO, s.d.).

Essa compreensão foi preservada pela tradição cristã e reafirmada pela teologia pentecostal clássica, que reconhece a progressividade da revelação sem admitir sua fragmentação.

3 A NEGAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO E O RESSURGIMENTO DE DESVIOS HISTÓRICOS

A tentativa de eliminar o Antigo Testamento da pregação cristã encontra paralelo histórico no marcionismo do século II, rejeitado pela Igreja Primitiva por comprometer a identidade do Deus revelado nas Escrituras.

Segundo Horton (1996), o Antigo Testamento fornece a base conceitual indispensável para a compreensão do Novo, especialmente no que tange às doutrinas do pecado, da aliança, da santidade e da redenção.

A rejeição funcional do Antigo Testamento resulta em uma fé desconectada de suas raízes bíblicas e historicamente desorientada.

4 O PENSAMENTO PENTECOSTAL CLÁSSICO E A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS

O pentecostalismo clássico sempre sustentou que a experiência espiritual deve estar submetida à revelação bíblica. A atuação do Espírito Santo jamais foi entendida como concorrente da Palavra, mas como seu intérprete e confirmador.

Pearlman (1995) enfatiza que nenhuma experiência espiritual pode ser considerada autêntica se contradizer ou negligenciar a Escritura. O evento de Pentecostes (At 2) só é compreendido plenamente à luz da profecia de Joel (Jl 2), evidenciando a continuidade entre os testamentos.

Assim, o culto pentecostal clássico preserva o equilíbrio entre Palavra, Espírito e reverência.

5 A CRÍTICA AO CULTO PENTECOSTAL CLÁSSICO E SUA ANÁLISE TEOLÓGICA

As críticas dirigidas ao culto pentecostal clássico geralmente partem de critérios culturais e pragmáticos, ignorando sua base bíblica. Elementos como reverência, ordem e temor são frequentemente confundidos com formalismo, quando, na realidade, expressam uma teologia profundamente enraizada nas Escrituras.

Gilberto (2004) ressalta que a ausência de ensino bíblico sólido conduz a uma espiritualidade instável e emocionalmente volátil. A exclusão do Antigo Testamento contribui para a perda do senso de santidade e da compreensão da glória divina no culto.

6 IMPLICAÇÕES PASTORAIS E DOUTRINÁRIAS

A igreja é chamada a proclamar “todo o conselho de Deus” (At 20,27), o que pressupõe fidelidade integral às Escrituras. O Antigo Testamento não deve ser tratado como mera ilustração moral, mas como revelação viva, interpretada à luz de Cristo.

O abandono do Antigo Testamento compromete a formação teológica dos crentes, fragiliza a pregação e empobrece a vida litúrgica da igreja.

7 CONCLUSÃO

Cristo não aboliu a Lei, mas a cumpriu. O Espírito Santo não contradiz a Escritura, antes a ilumina. O Novo Testamento não elimina o Antigo, mas o revela em sua plenitude.

O culto pentecostal clássico, fundamentado na totalidade das Escrituras, permanece teologicamente legítimo e espiritualmente necessário para a igreja contemporânea.

REFERÊNCIAS

AGOSTINHO. Questões sobre o Heptateuco. s.l.: s.n., s.d.

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.

GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.


PENSE NISSO!


CEZAR JR GOMES

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