10 de março 2018

10 de março 2018
Chamados, Amados e guardados

domingo, 17 de maio de 2026

HÁ PULPITOS

 Há púlpitos onde a eloquência suplanta a ética,

e a retórica homilética converte-se em mero ornamento da hipocrisia litúrgica.

 

O mendaz prega — sim, prega.

Com perícia vocabular e prosódia impecável,

mas sua consciência está putrefata sob o verniz da piedade.

 

O adúltero prega — sim, prega.

Ergue exortações sobre santidade enquanto sua alcova testemunha a fratura de sua própria moralidade.

 

O larápio prega — sim, prega.

Transforma o altar em balcão mercantil,

e a sacralidade em instrumento de locupletação.

 

O homicida prega — sim, prega.

Ainda que suas mãos não tragam sangue visível,

aniquilou reputações, dilacerou inocências

e crucificou afetos no madeiro da perversidade.

 

E a turba?

Ah, a turba ululante…

 

Ela ovaciona — sim, ovaciona.

Ela glorifica — sim, glorifica.

Ela brada aleluias convulsivos em catarse coletiva.

Ela rodopia em êxtase coreográfico,

como se o frenesi fosse evidência inequívoca de transcendência.

 

Contudo, o aplauso multitudinário jamais constituiu chancela celeste.

Porque o céu não se impressiona com performance pneumática,

nem com acrobacias litúrgicas revestidas de histrionismo sacro.

 

Segundo as Escrituras,

há uma abissal discrepância entre manifestação religiosa e regeneração genuína.

 

Pois nem todo arrebatamento emocional é epifania divina;

às vezes é apenas psicologia de massa adornada de misticismo.

 

Evangelho de Mateus 7:22-23 ecoa com assombrosa severidade:

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?...

E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci.”

 

Eis a tragédia escatológica do pseudo-sacro:

homens celebrados na terra

e desconhecidos no céu.

Porque carisma sem caráter produz apenas idolatria performática.

E dons sem metanoia tornam-se adornos fúnebres sobre sepulcros caiados.

 

PENSE NISSO!

 

CEZAR JR GOMES

 

17/05/2026

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