Há púlpitos onde a eloquência suplanta a ética,
e a retórica
homilética converte-se em mero ornamento da hipocrisia litúrgica.
O mendaz prega
— sim, prega.
Com perícia
vocabular e prosódia impecável,
mas sua
consciência está putrefata sob o verniz da piedade.
O adúltero
prega — sim, prega.
Ergue
exortações sobre santidade enquanto sua alcova testemunha a fratura de sua
própria moralidade.
O larápio prega
— sim, prega.
Transforma o
altar em balcão mercantil,
e a sacralidade
em instrumento de locupletação.
O homicida
prega — sim, prega.
Ainda que suas
mãos não tragam sangue visível,
aniquilou
reputações, dilacerou inocências
e crucificou
afetos no madeiro da perversidade.
E a turba?
Ah, a turba
ululante…
Ela ovaciona —
sim, ovaciona.
Ela glorifica —
sim, glorifica.
Ela brada
aleluias convulsivos em catarse coletiva.
Ela rodopia em
êxtase coreográfico,
como se o
frenesi fosse evidência inequívoca de transcendência.
Contudo, o aplauso multitudinário jamais constituiu chancela
celeste.
Porque o céu
não se impressiona com performance pneumática,
nem com
acrobacias litúrgicas revestidas de histrionismo sacro.
Segundo as
Escrituras,
há uma abissal
discrepância entre manifestação religiosa e regeneração genuína.
Pois nem todo
arrebatamento emocional é epifania divina;
às vezes é
apenas psicologia de massa adornada de misticismo.
Evangelho de
Mateus 7:22-23 ecoa com assombrosa severidade:
“Muitos me
dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome?...
E então lhes
direi abertamente: Nunca vos conheci.”
Eis a tragédia
escatológica do pseudo-sacro:
homens
celebrados na terra
e desconhecidos
no céu.
Porque carisma
sem caráter produz apenas idolatria performática.
E dons sem
metanoia tornam-se adornos fúnebres sobre sepulcros caiados.
PENSE NISSO!
CEZAR JR GOMES
17/05/2026
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