A mentira como filiação espiritual nos últimos dias
À luz da teologia bíblica, especialmente do pensamento joanino, a mentira não se configura como simples falha ética ou desvio circunstancial do caráter humano. Ela é, antes, um marcador ontológico de filiação espiritual. O próprio Cristo estabelece essa relação de maneira inequívoca ao afirmar que o diabo é “pai da mentira”, revelando que toda prática habitual da falsidade denuncia pertencimento a uma ordem espiritual que não procede de Deus (Evangelho de João 8:44).
Nesse sentido, mentir não é apenas transgredir um mandamento moral, mas operar segundo a natureza do reino das trevas. A mentira carrega paternidade. Ela não nasce no coração regenerado, mas no espírito que ainda não foi plenamente submetido ao senhorio de Cristo. Onde a verdade não governa, o Espírito da Verdade não reina.
A tradição pentecostal clássica compreende essa realidade à luz da doutrina da santificação progressiva, na qual a transformação interior se manifesta inevitavelmente na linguagem. A língua, portanto, torna-se um termômetro espiritual. Quando a mentira é tolerada, racionalizada ou institucionalizada, evidencia-se uma ruptura entre confissão de fé e realidade espiritual.
Escatologicamente, essa verdade assume contornos ainda mais graves. Nos últimos dias, o engano não se apresentará como erro grosseiro, mas como discurso sofisticado, revestido de aparência piedosa, emocionalmente convincente e aparentemente bíblico. Falsos mestres e falsos profetas não se distinguirão por ausência de linguagem religiosa, mas pelo uso estratégico da mentira como instrumento de poder e manipulação.
A Igreja que negocia a verdade perde a glória. O púlpito que relativiza a veracidade das Escrituras perde autoridade espiritual. O crente que convive pacificamente com a mentira cauteriza a consciência e compromete sua sensibilidade ao Espírito Santo. A mentira sempre prepara o terreno para o juízo, pois Deus jamais pactua com aquilo que procede do diabo.
Não é por acaso que a Escritura associa a mentira à exclusão escatológica, afirmando que os mentirosos não herdarão o Reino de Deus (Apocalipse 21:8). Tal advertência não se refere a deslizes ocasionais, mas a um ethos persistente, uma disposição contínua moldada pela falsidade.
Assim, a fidelidade à verdade não é um aspecto secundário da vida cristã; ela é constitutiva da própria identidade do salvo. Ou o homem se submete ao Deus que é a Verdade, ou permanece sob a influência do pai da mentira. Não há neutralidade espiritual, nem zona cinzenta no Reino de Deus.
Este é um chamado urgente para a Igreja dos últimos dias: abandonar toda forma de mentira e retornar à verdade absoluta da Palavra, antes que o engano se torne irreversível e a consciência seja entregue à própria cegueira. Ainda há graça. Ainda há tempo. Mas a verdade não espera para sempre.
Pense nisso !
Cezar Jr Gomes
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